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Casa Sede
A
sede foi construída pelo então proprietário
da Fazenda o Marquês de Três Rios. Ela foi reformada
pelo Conde de Prates e nesta obra ele incluiu 10 banheiros,
aumentou a casa acrescentando suas extremidades e fazendo o
sótão ser habitado. Sua preocupação
era oferecer conforto aos visitantes da então Fazenda
modelo. Como essas visitas vinham de trem pela antiga Companhia
Paulista, precisavam dormir na Fazenda para poder voltar a São
Paulo no dia seguinte. A Fazenda foi pioneira no Brasil em produzir
energia elétrica e em ter na casa principal água
encanada e banheiros, todo material foi inteiramente importado
da Europa; azulejos, pisos, torneiras, lustres, interruptores,
tomadas, banheiros, pias, bidês, vasos sanitários,
enfim toda parte hidráulica e elétrica da casa.
Tudo isso continua igual e preservado pois durante esses 100
anos pouquíssimo ou quase nada foi alterado. Reparem
também no excelente acabamento das madeiras (portas,
janelas, tetos e assoalhos), dignos de uma casa de cidade e
não de Fazenda conforme os próprios hóspedes
afirmavam. Toda a madeira foi desdobrada na própria Fazenda
e inclusive alguns móveis foram feitos inteiramente na
serraria da Fazenda, que era equipada com máquinas alemãs.
Árvore das Patacas
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Aclimatar as especiarias vindas
das Índias Orientais: foi com este objetivo que,
em 13 de junho de 1808, foi criado o Jardim de Aclimação
por D. João, Príncipe Regente na época,
e mais tarde D. João VI. Com a ameaça da
invasão das tropas de Napoleão Bonaparte
em Portugal, a nobreza portuguesa mudou-se para o Brasil
e instalou a sede do governo no Rio de Janeiro. Entre
outros benefícios, a cidade ganhou uma Fábrica
de Pólvora, construída no antigo Engenho
de Cana de Açúcar de Rodrigo de Freitas.
Encantado com a exuberância da natureza do lugar,
aí D.João instalou o Jardim, que em 11 de
outubro do mesmo ano, passou a Real Horto. |
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| Frutos
e folhas da Dillenia Indica |
As primeiras plantas foram trazidas do Jardim Gabrielle,
nas ilhas Maurício, por Luiz de Abreu Vieira e Silva,
que as ofereceu a D. João. Entre elas, provavelmente
estava o primeiro exemplar desta árvore, a Dillenia Indica,
popularmente conhecida pelo nome de Árvore da Pataca.
Esse nome surgiu devido a uma particularidade do fruto dessa
árvore; na maioria das plantas, o fruto se desenvolve
a partir do centro da flor, com a dillenia, as extremidades
da flor se fecham sobre a mesma para a formação
do fruto e por causa disso, qualquer objeto que ficar preso
à flor acaba ficando no interior do fruto.
Diz uma lenda que Dom Pedro I afixou várias moedas (patacas)
a várias flores, e após o fruto estar formado,
mandaram-os em uma caixa para Portugal com os seguintes dizeres:
"Nesta terra o dinheiro nasce em árvores".
Mais tarde, várias pessoas fizeram o mesmo e usavam esse
truque para divertir convidados ou até mesmo aplicar
um "conto do vigário". Sua origem na verdade
é a Índia onde os povos tribais de Orissa (Estado
indiano localizado na costa oriental do país, banhado
pelo mar) têm por costume já há muitos séculos
plantarem-na em seus quintais.
Aí ela tem diversos usos, suas folhas são usadas
como copos ou pratos, sua madeira é considerada muito
boa para lenha e os frutos verdes são cozidos para o
preparo de picles. No Panamá, o fruto maduro é
comido cru ou cozido e serve ainda para o preparo de doces.
Já no Brasil, seus frutos são considerados "inconvenientes",
sendo aproveitado somente as folhas e flores para ornamentação.
Floresce entre Março e Maio e por isso é conhecida
também por Flor-de-Abril. Em países de língua
inglesa é conhecida por Maçã-de-Elefante.
Represa
Em
um determinado ponto da represa pode-se ver a tomada de água
que era direcionada para as máquinas no terreiro. A construção
da barragem tinha a função de prover água
suficiente tanto para as rodas d'água quanto para a máquina
a vapor. O lago em frente a casa também permite uma vista
privilegiada da Fazenda e de toda a lavoura de café além
de proporcionar uma constante brisa refrescando o ambiente,
funcionando como um ar condicionado natural.
Além de prover energia para as máquinas a água
da represa levava da casa os esgotos líquidos (pias e
lavatórios), empresta um efeito decorativo ao jardim
e oferece segurança.
Desde aquela época já era comum na Europa se ver
castelos e palácios adornados com água e, certamente,
aqui na Fazenda também havia este objetivo.
Toda a vegetação em volta da represa recebe mais
umidade do solo, dando maior resistência às plantas
na estiagem, e favorecendo as frutíferas do pomar ao
lado, bem como as flores do jardim.
Lavagem do Café
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Um outro ponto da visitação
compreende a área da lavagem do café. O
café chegava da roça nos carroções
de tração animal. Aqui eram tratados em
uma estufa, sendo depois despejados em tanques, que funcionavam
como um pulmão, controlando a quantidade de café
que era enviada aos terreiros. |
| "A
Lavagem do Café"- Quadro de Antonio Ferrigno
- 1903 |
Mirante e Piscina
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A piscina era um reservatório
de água para a lavagem de café. Sua água
era proporcionada por uma mina de água em um local
chamado Pau d'alho e desde lá era canalizada para
a piscina. Eram 2.500 metros de canais de pedra cobertos
por tijolos que traziam a água até a fonte
que se vê nesta área. A água era armazenada
neste tanque, que sempre foi chamado de piscina, pois
assim era usado pelos proprietários, privilegiados
por esta água límpida de nascente. O mirante
tem a função mais uma vez de facilitar a
supervisão do trabalho com o café na chegada
da roça. |
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| Mirante
do Lavadouro de Café |
Currais, Esterqueira e Cocheiras
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Nesta área
situam-se os currais, onde toda estrutura foi planejada
para recolher o esterco dos animais. O primeiro prédio
é o picador onde se moíam os alimentos para
os animais. Nos porões era instalado o motor que
por meio de correias, acionava as máquinas, exatamente
igual ao sistema utilizado na máquina de beneficiamento
de café.
Nas cocheiras ficavam as éguas, que criavam os
burros e mulas (força de tração,
hoje substituídas pelos tratores). Eram cerca de
40 éguas de raça, grandes e robustas, que,
cruzadas com jumentos, produziam burros e mulas, de porte
e resistência adequadas para o trabalho na roça.
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| A
partir da esquerda: Picador, Casa do Cocheiro, Cocheira
das Éguas, Casa dos Vaqueiros, Currais, Bezerreiros
e ao fundo a Esterqueira. |
Seguem-se o curral,o bezerreiro e a esterqueira.São dois
poços, um estava sempre enchendo e o outro sendo usado.
A razão para isso é que o esterco tem que ser
curtido, antes de ser usado. Pelo porte da estrutura da esterqueira,
nota-se como era importante o estrume numa época em que
não havia o adubo e o café era tão valorizado
que qualquer esforço que significasse aumento em produtividade
era válido. O telhado é duplo, para a liberação
dos gases, principalmente o metano, que é perigoso se
armazenado pois queima com facilidade. Nota-se que, apesar da
preocupação com a ventilação, o
telhado queimou e parte dele teve de ser refeita.
Cinema
O
trabalhador da Fazenda de Santa Gertrudes além de encontrar
nos quadros da religião "expressão autêntica
de diversão e lazer" , obtinha também, graças
ao proprietário, formas de diversões citadinas
como espetáculos e sessões cinematográficas
de bom nível. Assim é que em 24.12.1908 o humorista
Baptista, criador do boneco João Minhoca, de São
Paulo, deu espetáculos na Fazenda. Considerado o introdutor
do teatro de marionetes no Estado, com muito êxito havia
se apresentado anteriormente no Jockey Club de são Paulo.
Já em 1910 destacaram-se os espetáculos de ginástica
pelo Grupo Brasileiro de Isidoro Lourenço Gonçalves
e em 1912 apresentações da famosa Companhia Pires.
A partir de 1912 instalou-se o primeiro aparelho cinematográfico,
dentro da Tulha de café e dois anos depois, em 1914,
foi inaugurado o cinema popular que durante muitos anos foi
o único cinema da redondeza freqüentado também
por pessoas da vila e fazendas vizinhas. As sessões aconteciam
aos sábados à noite e logo após a exibição
os bancos eram retirados, entrava em cena um sanfoneiro e acontecia
um baile.
Escola
Apesar dos italianos que vieram para cá no final do século
XIX serem na sua grande maioria analfabetos, não pouparam
esforços para se alfabetizarem, mesmo através
de iniciativas particulares. Na Fazenda Santa Gertrudes os próprios
colonos procuravam sanar o problema da falta de escola. Reuniam-se
à noite na casa daquele que possuía condições
de ministrar aulas aos demais e ali aqueles que eram analfabetos
conseguiam aprender as primeiras letras e fazer contas, além
de obterem outras noções gerais.
Estas
aulas eram pagas ao "professor" ou em dinheiro ou
em espécie, geralmente querosene. Através da documentação
existente verifica-se a existência de uma escola na Fazenda
na primeira década do século XX, 1902 aproximadamente,
sendo o professor mantido pela fazenda e recebendo Rs 3$000
por aluno a cada 2 meses. Em 1921 foi instalada a primeira escola
pública confiada a professores diplomados e portanto
habilitados ao bom desenvolvimento da mesma. Foram montadas
quatro classes: duas mistas em duas colônias e uma feminina
e outra masculina na sede.
Embora as professoras fossem nomeadas pelas autoridades governamentais,
eram sempre indicadas pelo proprietário. O número
de classes instaladas na Fazenda demonstra que deveria haver
uma grande quantidade de crianças freqüentando-as.
Entretanto há de se salientar que enquanto os pais sentiram
a necessidade da alfabetização, o mesmo não
se manifestava em relação aos filhos. Isto ocorria
em virtude da importância da mão de obra infantil
nos serviços da lavoura , tanto crianças escravas
como imigrantes iniciavam sua vida "profissional"
ao redor dos 8 anos, fosse, no caso das crianças imigrantes,
trabalhando ao lado do pai, fosse familiarizando-se com o trato
dos cafezais, fosse ainda carregando as refeições.
Assim, a escolarização das crianças, em
especial do jovem, encontrou resistências pois significava
a perda de braços para a lavoura.
Assistência Médica
O comportamento do Conde Eduardo Prates foi marcante e progressista
no que tange à assistência médica. Sua orientação
demonstrou grande interesse com o cuidado da saúde de
seus trabalhadores. Ele foi pioneiro neste sentido. Dentro do
sistema patriarcal, procurava resolver os casos mais graves,
providenciando inclusive internamento em hospitais da Capital:
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Conforme já conversei aqui com V. Sa. Segue
para São Paulo o colono (ilegível) Eugenio,
levando consigo uma menina sega para deixar na Santa
Casa de Misericórdia, peço pois a V. Sa.
O favor de guial-o ahí.
Peço a V. Sa. O favor de providenciar afim
de ser removida para o Hospício a colona d´esta
Fazenda Thereza Termi mulher do colono Marquese Vincenzo,
pois que se tem agravado muito a moléstia. A
mulher do colono Luige declarou-me que não quer
se sugeitar a operação na garganta, portanto
fica sem effeito o pedido que aqui fiz a V.Sa..
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Estas atitudes reforçavam a neutralização
de eventuais atritos, uma vez que ao atender um caso isolado,
o proprietário tornava explícita sua proteção
a todos os empregados.
Em 1898 já havia médico atendendo os trabalhadores
da fazenda sob pequena remuneração por parte
dos empregados. Entretanto em 1903 foi estabelecida na Fazenda
Santa Gertrudes uma Sociedade Médica cujos membros
teriam direito a consultas realizadas pelo médico da
Fazenda, mediante pagamento de uma mensalidade que era proporcional
ao número de pés de café que o colono
tratava. A partir de 1912 todos os empregados foram obrigados
a fazer parte dessa sociedade além dos colonos. O médico
visitava a Fazenda periodicamente. Fora do horário
normal era cobrada uma alta taxa para a visita médica
na Fazenda. Outras vezes o doente era transportado à
cidade o preço da consulta chegava a atingir Rs 50$000,
dependendo da maior ou menor gravidade do caso.
Os sócios não tinham direito a remédio.
Este era adquirido em farmácias: da fazenda, da vila
de Santa Gertrudes, de Cordeirópolis ou de Rio Claro,
mediante vales fornecidos pela Fazenda e depois descontados
na conta do empregado ou o próprio empregado pagava
quando possuía dinheiro em mãos.
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