
O Pau Brasil
Caesalpinia Echinata
Um pouco de História
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Há 80 milhões de anos predominava em todo o planeta
terra o clima típico dos trópicos, e a vegetação
no Brasil já existia na sua forma exuberante. Porém,
esta condição ambiental contínua, sofreu
alterações pela ocorrência de cataclismas
geológicos e períodos de frio intenso, isto é,
períodos glaciais, causando modificações
na topografia e no clima da biosfera terrestre. A vegetação
que era adaptada a um clima quente e úmido, devido ao
resfriamento intenso dos pólos, passou a ocupar apenas
uma estreita faixa da Terra, a região tropical situada
entre os trópicos de Câncer e Capricórnio.
Fatores como a presença de luz, calor e umidade durante
todo ano, possibilitaram que o Brasil possuísse ecossistemas
singulares como a Floresta Amazônica, Mata Atlântica,
e outras formações vegetais que se mantiveram
originais até a chegada dos portugueses, compreendendo
uma área de aproximadamente 5,2 milhões de quilômetros
quadrados, sendo ocupada até então, apenas pelos
índios.
Em 1500, na chegada de Cabral, Pero Vaz Caminha descreveu: "mataria
que é tanta, e tão grande, tão densa e
de tão variada folhagem, que ninguém pode imaginar.
"Diante da exuberância encontrada pelos portugueses,
estes descobriram a existência de uma riqueza para eles
inesgotável: o pau-brasil. Os índios brasileiros
já utilizavam esta árvore para a confecção
de arcos, flechas, e para pintura de enfeites, com um corante
vermelho intenso extraído do cerne. A técnica
foi ensinada aos portugueses pelos próprios índios,
que também foram encarregados de cortar, aparar e arrastar
as árvores até o litoral, onde carregavam os navios
a serem enviados para a Europa. O ciclo econômico teve
início em 1503 e até 30 anos após a chegada
dos portugueses, era o único recurso explorado pelos
colonizadores. Nesse período calcula-se que foram exploradas
300 toneladas de madeira por ano, sempre aumentando nos anos
posteriores.
Com a exploração, a terra do pau-brasil tornou-se
de muita importância, e em pouco tempo Pindorama (denominação
tupi que significa Terra das Palmeiras), oscilou entre os nomes
oficiais Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra do Brasil
e logo em seguida apenas por Brasil.
O carregamento da madeira era enviado para Portugal e, de
lá, a matéria-prima era enviada para Antuérpia,
na Bélgica, de onde seguia para os principais consumidores,
a Inglaterra, Alemanha e Florença, na Itália.
A exploração era monopolizada pela coroa, sendo
que mesmo após a implementação das Capitanias,
seus donos não podiam explorar a madeira nem tão
pouco impedir que representantes da coroa o fizessem. O monopólio
da coroa portuguesa sobre o pau-brasil teve existência
curta, pois a França, Inglaterra, Holanda e Espanha
passaram a participar das atividades extrativistas ajudados
pelos índios (em troca de quinquilharias). Este processo
de exploração conjunta e contínua consistiu
nesse período, possivelmente, a retirada mais intensa
e devastadora que se ouviu falar na história do Brasil.
Essa prática não se limitou ao pau-brasil, sendo
que outras essências foram eliminadas das reservas florestais
localizadas mais no interior da Mata Atlântica.
Esse contrabando pode ser afirmado por Paul Gaffarel: "o
algodão e as especiarias só figuravam nos carregamentos
a título de curiosidade, mas o mesmo não pode
dizer quanto às madeiras preciosas, principalmente
as de tinturarias, que formavam o carregamento essencial de
nossos navios". As intensas atividades dos contrabandistas
obrigaram Portugal a instituir as Capitanias, com o objetivo
de povoar e defender o território. A narrativa do conto
europeu de Jean de Lery , mostra o quanto a árvore
impressionou os viajantes daquela época: "Devo
começar pela descrição de uma das árvores
mais notáveis e apreciadas entre nós por causa
da tinta que dela se extrai: o pau-brasil, que deu nome a
essa região. Esta árvore, a que os selvagens
chamam de arabutan, engalha como o carvalho de nossas florestas,
e algumas há tão grossas, que três homens
não bastam para abraçar-lhes o tronco".
O término do ciclo econômico, no século
19, foi determinado pela quase inexistência da espécie
na matas e pela descoberta de corante artificial correspondente.
Foram 375 anos de exploração, e por muito tempo
extraiu-se a "brasileína" que dava cor às
roupas da nobreza e utilizada como tinta de escrever, e além
do corante, a madeira do pau-brasil era utilizada nas indústrias
civil e naval. O ciclo econômico do pau-brasil se concentrou
exclusivamente na Mata Atlântica, sua área original.
De sua atividade restou uma floresta devastada, até
a quase extinção da espécie com capoeiras
de florestas secundárias e terras que passaram a ser
utilizadas na plantação da cana do açúcar.
Desde o início de sua exploração, restou
após 500 anos da chegada dos portugueses, menos de
3% de Floresta Atlântica. Assim, os colonizadores criaram
um modelo de devastação, que se fixou profundamente
nos sistemas sócio-econômicos seguintes.
Devido à devastação intensa das matas
do litoral brasileiro à procura do pau-brasil, no período
de 1500 a 1875, foi elaborada em 1542, a 1ª Carta-Régia
estabelecendo normas para o corte e punição
ao desperdício de madeira. Esta foi a primeira medida,
tomada pela coroa portuguesa para defender as florestas no
Brasil. Esse interesse não estava diretamente ligado
a uma preocupação pela ameaça de desequilíbrio
da natureza, mas pela demasiada saída dessa riqueza
sem controle da corte. Essas normas, entretanto, jamais foram
cumpridas. Em 1605 surge um Regimento fixando a exploração
em 600 toneladas por ano. Este regimento tinha o objetivo
apenas de limitar a oferta de madeira na Europa, mantendo
assim, preços elevados. Durante o Império, muitas
outras proibições surgiram sem resultado, entre
elas a Carta de Lei de outubro de 1827, onde poderes foram
delegados aos juizes de paz das províncias na fiscalização
das matas e na interdição de corte das madeiras
de construção em geral. Surge, então
o termo popular madeiras de lei. Outras leis criminais estabelecendo
penas ao corte ilegal de madeiras surgiram, porém sem
êxito. Mesmo a lei n° 601, em 1850 editada por D.
Pedro II proibindo a exploração florestal em
terras descobertas, com fiscalização a cargo
do município, foi ignorada, pois justificava-se o desmatamento
como necessário ao progresso da agricultura. A partir
de então, instalou-se vasta monocultura cafeeira para
alimentar o mercado de exportação. A Princesa
Izabel, em 1872, autorizou o funcionamento da primeira companhia
privada especializada em corte de madeira, para evitar o desmatamento
descontrolado. Porém, em 1875 liberou totalmente de
licença prévia qualquer corte de madeira nas
matas particulares. Em 1920, o Presidente Epitácio
Pessoa, preocupado com a preservação e restauração
de matas, disse: "dos países cultos dotados de
matas e ricas florestas, o Brasil é talvez o único
que não possui um código florestal". Em
1921, foi criado o serviço florestal com regularização
em 1925. Porém de nada adiantou, pois este serviço
não tinha respaldo na constituição de
1891, que não mencionava nada a respeito de matas e
árvores. Assim o pau-brasil continuou sendo explorado
e as florestas sem amparo das leis. Em 1934, foi criado um
anteprojeto do Código Florestal de 1931, pelo decreto
n° 23.793 que foi transformado em lei, em defesa das florestas
e matas particulares. Assim, primeiro o resultado concreto
deste projeto, foi a criação da primeira unidade
de conservação no Brasil, o Parque Nacional
de Itatiaia. Mesmo com a existência de um Código
Florestal, este não garantia a total proteção
das árvores de pau-brasil que ainda restaram na faixa
compreendida entre o Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte.
Foi necessária a sua quase extinção para
que o pau-brasil fosse reconhecido oficialmente na história
brasileira. Em 1961, o presidente Jânio Quadros aprovou
um projeto declarando o pau-brasil como árvore símbolo
nacional e o ipê como flor símbolo.
É realizado um substituto do projeto n.º 1006,
de 1972, por meio da lei n.º 6607 de 7/12178, declarando
o pau-brasil a Árvore Nacional, e instituindo o dia
03 de maio como o dia do pau-brasil.
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A árvore
do Pau-Brasil |
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Em
1789 o naturalista francês Jean Baptiste Lamarck (1744
a 1829) estudou e descreveu a espécie cientificamente,
isto é, denominou-a para que todos os cientistas a conhecessem
por um único nome: Caesalpinia echinata, sendo os termos
Caesalpinia em homenagem ao botânico e médico Andreas
Caesalpinus que viveu entre 1519 a1603, e echinata por ser uma
árvore que possui acúleos no tronco e galhos.
Esses acúleos são saliências duras e pontiagudas
e que facilmente são destacadas do tronco. Os acúleos
do pau-brasil são semelhantes àqueles encontrados
nas roseiras, popularmente conhecidos por "espinhos".
O pau-brasil possui a casca pardo-acinzentada, ou pardo-rosada
nas partes destacadas, e cerne (miolo) vermelho, cor de brasa.
Atinge até 30 m de altura (dados da literatura indicam
que podem chegar até 40 metros) e 1,5 m de circunferência.
Sua floração ocorre no final do mês de setembro
até meados de outubro. Entre os meses de novembro a janeiro
ocorre a maturação dos frutos.
O
pau-brasil pertence ao mesmo gênero da sibipiruna (Caesalpinia
peltophoroides) e pau-ferro (Caesalpinia ferrea) árvores
comumente plantadas nas calçadas, e que também
são originárias da Mata Atlântica. A diferença
básica entre essas espécies é a ausência
de acúleos na sibipiruna e pau-ferro. A árvore
pau-brasil também é conhecida popularmente por
ibirapitanga, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita,
ibirapitã, muirapiranga, pau-rosado e pau-de-pernambuco.
Originária da floresta pluvial Atlântica, tem ocorrência
natural desde o Estado do Rio Grande do Norte até o Rio
de Janeiro, numa larga faixa de 3.000 km. Quando a árvore
ficou escassa na região mais próxima do litoral,
os índios percorriam distâncias de até 20
léguas, equivalendo a 120 km. É uma árvore
que vive tipicamente em floresta primária densa. Raramente
é encontrada em formações secundárias
e atualmente, através de levantamentos científicos,
poucos exemplares de pau-brasil nascidos em natureza, ocorrem
nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia,
Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
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O Pau-Brasil e os
Violinos |
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Em 1775, em Paris, François Tourte projetou o primeiro
arco de violino com a madeira do pau-brasil, conhecida como
"Fernambouc", uma corruptela de Pernambuco, pois foi
principalmente na Capitania de Pernambuco que se iniciou a exploração
dessa madeira. O projeto foi considerado como padrão,
no que diz respeito à extensão e curvatura. O
pau-brasil era considerado a madeira ideal para essa finalidade,
pois apresentava peso e espessura ideais, mas também
porque era uma madeira abundante na Europa, naquela época.
O desperdício da madeira era enorme, pois para a produção
de um arco de violino, era exigida a parte mais flexível,
sem nó, e cortada no sentido de maior comprimento das
fibras, reduzindo o aproveitamento no trabalho artesanal a 15%
da tora. O pau-brasil atualmente continua sendo utilizado na
fabricação de arcos de violino. A produção
racional da árvore não é estimulada, pois
para esse fim são necessárias árvores com
pelo menos 30 anos de vida.
A extinção do Pau-Brasil
O pau-brasil era considerado extinto, quando em 1928 o estudante
de agronomia João Vasconcelos Sobrinho e o professor
de botânica Bento Pickel, verificaram a presença
de uma árvore de pau-brasil, num local chamado Engenho
São Bento, hoje sede da Estação Ecológica
da Tapacurá da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRP). Atualmente, a espécie está tão
ameaçada quanto outras de ocorrência na Mata
Atlântica, que mesmo sendo um dos ecossistemas de maior
diversidade é um dos mais ameaçados do planeta.
Devido ao esforço de pessoas como o Prof. Roldão
Siqueira Fontes e apoiados pela direção da UFRPE
(sede da Estação Ecológica do Tapacurá),
lançaram em 1972 uma Campanha Nacional em defesa do
pau-brasil, recuperando a memória histórica
e desencadeando a produção de mudas em todo
o país.
Jaca
Artocarpus integrifólia
A
Jaqueira é uma árvore que pode chegar a atingir
20 m de altura ou mais, de porte ereto e copa densa. Folhas
ovais, verde-escura, brilhantes, coriáceas, de 12 a 20
cm de comprimento.
Os frutos nascem presos diretamente ao tronco e aos ramos
grossos da planta . Na verdade é um fruto composto,
também chamado de infrutescência, já que
é resultante da junção de um grande número
de frutos simples, intimamente soldados em torno de um eixo
central engrossado, podendo ter a forma globosa, oval ou alongada,
seu comprimento varia de 12 cm a mais de 70 cm. A casca é
áspera, com projeções triangulares curtas
e pontudas, de coloração castanho-amarelada,
quando o fruto está maduro. Cada fruto pode conter
até 500 sementes, que são envolvidas individualme nte
por uma polpa visguenta, amarela, bastante perfumada, de sabor
bem doce e de consistência mole ou mais endurecida.
Embora seja encontrada em diversos locais do mundo de forma
subespontânea, incluindo o Brasil, a espécie
é originária da Malásia e Índia.
A polpa do fruto é consumida ao natural ou em compotas.
As sementes são consumidas depois de cozidas ou assadas,
delas também se faz uma farinha usada para biscoitos
e outros alimentos. Planta muito utilizada no paisagismo pela
sua elegância.
Geralmente as flores aparecem entre Setembro e Dezembro e
os frutos de Outubro a Março.
Paineira
Chorisia Speciosa
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A Paineira, também conhecida pelos
nomes de: barriguda, paina-de-seda, paineira-branca, paineira-rosa,
árvore-de-paina, árvore-de-lã, paineira-fêmea;
é uma árvore de até 30 m de altura,
tem o tronco retilíneo e cilíndrico, com
engrossamento próximo à base (barriga).
Apresenta acúleos na casca, principalmente nos
ramos jovens. Copa ampla, muito ramificada, provida de
densa folhagem durante o verão. Folhas alternas,
digitadas, com 5 a 7 folíolos peciolulados, elípticos,
com margem serreada e nervura central proeminente em ambas
as faces, pecíolo de 4 a 15 cm de comprimento.
Flores solitárias axilares, corola de coloração
rósea a arroxeada. Fruto cápsula globosa,
com numerosas sementes envoltas por pêlos brancos
(paina). |
Espécie decídua, de rápido crescimento
na fase inicial, mas de ciclo de vida longo, permanecendo
na floresta madura. Ocorre da Paraíba ao Rio Grande
do Sul, nas formações florestais do complexo
atlântico e nas florestas estacionais deciduais e semidecimais.
Comum nas florestas ocorrentes ao longo dos cursos d'água.
Madeira leve e mole, de baixa densidade quando jovem e maior
na fase adulta, de pouca durabilidade, fácil de trabalhar.
Usada na fabricação de canoas e para caixotaria,
com potencial para a produção de pasta celulósica.
A paina serve para encher colchões, travesseiros e
almofadas. Pela sua rusticidade e beleza de floração
e devido ao tronco grosso e a paina branca presa à
planta é muito utilizada para a ornamentação
de parques e ruas.
A florada vai de Janeiro a Maio, com a planta despida de sua
folhagem e os frutos surgem entre Abril e Outubro.
Jacarandá Mimoso
Jacaranda mimosaefolia
O Jacarandá Mimoso é uma árvore exótica
de grande porte, atingindo de 5 a 10 metros de altura, com
tronco de 30 a 40 cm de diâmetro, com origem na Argentina,
possui floração lilás no período
de estiagem. Árvore de até 15 m de altura, com
casca fina e acinzentada. Folhas opostas, compostas bipinada,
de 10 a 25 cm de comprimento, com folíolos pequenos,
glabros e de bordo serrado. Flores azulado-lilás, arranjadas
em panículas piramidais densas. Fruto cápsula
lenhosa, muito dura, oval, achatada, com numerosas sementes
aladas.
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Espécie pioneira, ocorre nos estados de São
Paulo e Minas Gerais, nas formações florestais
do complexo atlântico.
Madeira clara, muito dura, pesada, compacta, de longa durabilidade,
porém frágil. Usada na confecção
de brinquedos, caixas, instrumentos musicais, carpintaria
e móveis em geral.
Espécie de grande valor ornamental pelo porte e delicadeza
de suas folhas, cor e abundância de suas flores, comumente
utilizada no paisagismo de avenidas e parques. Floresce entre
Agosto e Novembro e ao frutos surgem entre Maio e Setembro,
com a planta despida de sua folhada.
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